Seis bilhões de parceiros ideais

Nós encontraremos o parceiro ideal para você. Esse é o slogan de uma agência de matrimônio que prova sua eficácia em um comercial de TV. Mas afinal, o que é ideal? Ideal é ter o mesmo gosto musical do parceiro? Ideal é ter a barriga definida e correr 10 km por dia? Nossos padrões são surreais, nossas carências são astronômicas, e agora, um filão lucrativo de mercado. Não que haja algo de errado em querer alguém que tenha algumas afinidades em comum com você, mas pagar dez mil reais por um marido ou procurar pretendentes em sites de encontro parece exagero.

Nosso problema é a solidão. Em meio a mais de seis bilhões de pessoas, nos sentimos sozinhos, isolados, incompreendidos. Reféns de nossa própria carência. Tal carência é somada à velocidade que assola tudo hoje em dia. Não sabemos ter calma. Queremos nos apaixonar para ontem, queremos o combo completo: romance, relacionamento e felicidade, tudo pra viagem. Tudo isso para que, talvez, não nos sintamos tão sozinhos, isolados e incompreendidos.

Nós não somos ideais. Somos errados, errantes. Somos mutáveis. O que ontem era ideal, hoje não é mais. Nós queremos ser perfeitos, mandar no destino feito semideuses inconseqüentes da mitologia.

Precisamos tirar o pé do acelerador e apreciar a paisagem. Olharmos-nos no espelho procurando a nós mesmos e não a um perigoso inimigo infiltrado. Precisamos amar para sermos amados. Amar de verdade, com a alma. Dizer menos não e mais sim. Tentar mais uma vez. Dar a cara à tapa e sorrir com deboche. Usar mais batom e menos base. A vida é curta demais para que capítulos inteiros de sofrimento não levem a um final feliz.

E se não lhe amarem de volta, paciência. Ainda existem outras seis bilhões de pessoas no mundo.

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2 Respostas para “Seis bilhões de parceiros ideais

  1. Concordo que há pressa, Laura. E acho que o maior veneno para fuder um relacionamento (que nem começou direito, na maioria das vezes), é justamente idealizar demais as coisas. As pessoas têm a cabeça romântica e uma rotina pós-moderna – tem alguma coisa discrepante aí.

    Beijo!

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